Dia do Engenheiro Eletricista: conselheiro conta como é a rotina da profissão e incentiva próximas gerações

23 de novembro de 2024, às 9h00 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos

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A Entrevista do Mês de novembro traz o conselheiro e engenheiro eletricista Walter Aguiar em uma homenagem ao Dia do Engenheiro Eletricista, celebrado neste sábado (23). A data foi oficializada através de uma resolução do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA), sendo escolhida devido a data de inauguração do Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá (IEMI), em 1913. A instituição foi a primeira universidade tecnológica do Brasil e foi fundamental para a formação dos primeiros engenheiros mecânicos-eletricistas do país.

Estes profissionais são responsáveis por projetar, construir e manter sistemas elétricos que alimentam nossas casas, impulsionam a indústria e revolucionam a tecnologia. Pode-se dizer que a engenharia elétrica iniciou-se quando o ser humano descobriu pela primeira vez que o âmbar, quando esfregado, atraía pequenas partículas – uma manifestação do que hoje chamamos de eletricidade estática.

Walter Aguiar é engenheiro eletricista, graduado desde 2017 pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e especialista em sustentabilidade. Atualmente, está concluindo seu mestrado na área de Física Ambiental. O conselheiro atua na área de consultoria, estudos e projetos elétricos de baixa e média tensão e na proteção de sistemas elétricos. Nos últimos anos, começou a atuar em organizações como a Associação Brasileira de Engenheiros Eletricistas (ABEE-MT) e a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel).

Crea-MT: O que motivou a escolha pela engenharia elétrica?

Walter Aguiar: Na verdade, eu sou um engenheiro meio de humanas. A minha primeira opção era psicologia, filosofia. O meu padrasto é técnico industrial, técnico agrícola, e o filho dele já tinha feito elétrica. Ele falou para mim: ‘você tem que fazer’. Eu nem sabia da existência da engenharia elétrica. Fui para o vestibular, na última turma da UFMT, segundo semestre de 2008 e entrei no segundo semestre de 2009. Só na época da matrícula, que descobri que existia engenharia elétrica, caí de paraquedas e me apaixonei, escolheria um milhão de vezes. Sempre fui meio nerd, gosto de matemática, sempre gostei de estudar, aprender tudo. Estudo muito filosofia também, sociologia, economia, história, mas eu sou engenheiro, né? E quando eu entrei na engenharia elétrica, eu vi o universo.

Crea-MT: Como é a sua rotina de trabalho?

Walter Aguiar: Sempre trabalhei por conta própria. Atualmente, estou em um órgão público, como analista de dados, mas eu sempre prestei consultoria na área de baixa e média tensão e proteção de sistemas elétricos. Tenho administrado cursos também, sempre que possível, palestras, treinamentos. Sempre de forma voluntária porque eu entendo que, como a minha formação foi pública, financiada pelo poder público, tenho o dever social de, além de usar essa profissão para ganhar o meu sustento, mas para servir a sociedade. Acho que é um dever de todo profissional contribuir com a sociedade. Então isso sempre permeou a minha carreira, a minha trajetória.

Crea-MT: O que você mais aprecia na sua profissão?

Walter Aguiar: Em especial na engenharia elétrica, é nas possibilidades que ela proporciona. Temos ídolos, como o Tesla, Thomas Edison, Steinmetz, enfim… Mas quando a gente olha tudo que a engenharia elétrica proporciona para o mundo moderno, qualquer sistema computacional, sistema eletrônico, sistema de comunicação, sistema elétrico, sistema de comando, sistema de controle… Hoje a gente não vê a engenharia elétrica separada de nenhuma área da tecnologia.

Crea-MT: Na sua visão, quais são os principais benefícios que o Crea-MT oferece aos engenheiros eletricistas?

Walter Aguiar: Desde a época que comecei na área, já estava formando, estagiando, já olhava para o Crea, para a posição de conselheiro e falei: ‘quero atuar aí’. Sempre atuei no movimento estudantil, era do Diretório Central dos Estudantes (DCE), mas pensei: ‘agora eu quero pela minha profissão’. Foi quando comecei a participar da Associação dos Engenheiros Eletricistas do estado e conheci o Sistema.

Crea-MT: Qual mensagem você deixa para as novas gerações de engenheiros eletricistas?

Walter Aguiar: O que eu posso dizer para a nova geração é que a gente tem que ser aprendedor de vida, o tempo inteiro, não posso parar de estudar. A engenharia, o profissional da engenharia nunca vai parar de estudar. Eu não parei até hoje. Estou o tempo todo fazendo cursos, me aperfeiçoando, fazendo especialização, mestrado. Então, o que fica para a próxima geração é: não tem nada fácil. As coisas dão trabalho e estudar é um trabalho. As mudanças hoje são muito grandes também, muito disruptivas e temos que estar atento. Se você perder um gancho, você já não vai mais acompanhar. Falando em referências, o meu ídolo da engenharia elétrica é um cara chamado Charles Proteus Steinmetz. Ele foi disruptivo, criativo e meio maluquinho, como todo engenheiro eletricista deve ser. Acho que o espírito dessas pessoas tem que permanecer nos engenheiros de hoje porque eram pessoas que passavam a vida inteira estudando, aprimorando e entregando soluções. E eu acho que o engenheiro eletricista é isso, ele está o tempo inteiro entregando novas soluções. Além disso, a engenharia elétrica tem uma abrangência enorme, incluindo áreas como engenharia biomédica, automação, controle eletrônico, telecomunicações, enfim. É isso que torna a profissão tão fascinante.

 

Texto: Maria Cecília Borges